O Meu Portefólio

A Biologia e os Desafios da Atualidade

Controlo de pragas

Organismos que reduzem a qualidade, a possibilidade de utilização e o valor dos recursos úteis são designados por pragas.

Nos ecossistemas naturais e nos ecossistemas agrários com policultura existem “defensores naturais” (predadores e parasitas) que, em regra, controlam 50% a 90% das pragas que atacam as plantas.

Nas monoculturas, sistemas agrários mais frágeis, a intervenção do ser humano é necessária, utilizando diferentes processos de proteção.

Luta química

Em muitas circunstâncias, para garantir boas produções agrícolas, recorre-se ao uso de produtos químicos que combatem espécies nocivas ou funcionam como reguladores do crescimento. Estes produtos são designados por pesticidas, dos quais se podem destacar: inseticidas, herbicidas, fungicidas, raticidas, etc.

Pesticida disperso por avião.

Anualmente são utilizadas no mundo mais de três milhões de toneladas de pesticidas, principalmente nos países desenvolvidos.

Quando os inseticidas falham o seu alvo, como, por exemplo, quando são lançados de avião em grandes quantidades acabam por contaminar as águas superficiais e subterrâneas, os sedimentos, os alimentos e outros organismos, incluindo os seres humanos.

Alguns pesticidas têm um largo espectro de ação, sendo tóxicos para quase todas as espécies. Estes pesticidas são designados por biocidas. Outros, porém, têm um espectro de ação estreito, ou seja, são muito seletivos, sendo eficazes contra um grupo definido de organismos.

É evidente que a aplicação de pesticidas trouxe benefícios para a Humanidade, não só salvando milhões de vidas humanas que morreriam por doenças transmitidas por insetos, ratos, etc., mas também devido ao aumento da produção de alimentos para uma população crescente. Contudo, o uso indiscriminado e excessivo de pesticidas, mesmo a nível doméstico, causa doenças variadas e mesmo acidentes por envenenamento, principalmente em crianças.

Muitos pesticidas de largo espetro de ação têm um efeito secundário nos ecossistemas, afetando outros organismos  que não são visados pelo tratamento. Por vezes eliminam os predadores das próprias pragas, o que vai favorecer a multiplicação das mesmas.

Uma longa persistência de um pesticida pode ter efeitos perigosos, contaminando as águas superficiais e subterrâneas e entrando nas cadeias alimentares. A aplicação de pesticidas com determinado fim pode afetar outras populações dos ecossistemas, tendo dois efeitos indesejáveis: bioacumulação e bioampliação.

Bioacumulação

Algumas moléculas são absorvidas e armazenadas em tecidos e órgãos específicos dos indivíduos em níveis mais elevados do que aqueles que seriam de esperar. Existindo o pesticida no meio, os seres vivos, ao consumirem água ou outros organismos que já o absorveram, podem acumulá-lo nos seus tecidos.

Bioampliação

A concentração de alguns pesticidas aumenta quando eles passam sucessivamente para níveis tróficos mais elevados das cadeias alimentares, ou seja, as concentrações nos tecidos dos organismos pertencentes a níveis tróficos superiores são maiores do que as concentrações naqueles que pertencem a níveis tróficos mais baixos.

Bioampliação.

A toxicidade de alguns pesticidas, aliada à elevada concentração em certos organismos, pode estar relacionada com o desaparecimento de algumas populações.

Na minha opinião, a utilização de pesticidas é essencial à vida humana, pois há que controlar as pragas. Contudo, há que utilizar os pesticidas corretos e nas porções corretas, senão tornam-se prejudiciais.

Luta biológica

A luta biológica natural existe e existiu sempre, controlando muitas pragas nos ecossistemas naturais.

As corujas caçam ratos que tantos prejuízos causam à agricultura.

As joaninhas atacam pulgões.

Diferentes estratégias podem ser usadas na luta biológica das quais destacam-se: o recurso a organismos auxiliares, o uso de feromonas e o recurso à esterilização de seres que constituem pragas, fazendo diminuir a sua reprodução.

Organismos auxiliares: são seres vivos utilizados na luta contra pragas, como, por exemplo, mamíferos, aves, anfíbios, insetos, plantas, fungos e mesmo microorganismos, como certas bactérias, que atacam  e destroem seres prejudiciais.

A bactéria Bacillus thuringiensis e as suas toxinas são vendidas no mercado sob a forma de vários produtos que se aplicam para destruir larvas de insetos que atacam muitas culturas, como as larvas de escaravelho da batateira, as da borboleta da couve e do tomate, a traça da uva, etc.

Feromonas: são substâncias químicas produzidas por certos animais que têm um efeito comunicacional à distância. As feromonas desencadeiam uma reação fisiológica  ou um comportamento específico noutros animais da mesma espécie, pois só estes possuem recetores específicos para essas substâncias. As fêmeas, quando estão preparadas para acasalar, libertam quantidades ínfimas de uma feromona que tem o efeito de atração sexual.

Quando a fêmea está apta para ser inseminada, produz uma feromona que é disseminada pelas correntes de ar. Os machos da mesma espécie têm recetores para essas moléculas. Mesmo que estejam a milhares de metros de distância , são informados de que uma fêmea da sua espécie está sexualmente recetiva. Orientando-se pela direção do vento e pelo gradiente da concentração de moléculas, eles podem localizar a fêmea.

Uma das características das feromonas é que uma vez produzidas elas permanecem no ambiente por muito tempo.

Podem utilizar-se estratégias deste tipo para atrair animais para armadilhas numa tentativa de controlar pragas. Existem no mercado feromonas que podem ser adquiridas e utilizadas para esse fim.

Esterilização de machos: a mosca do Mediterrâneo, Ceratitis capitata, Wield, é uma praga de frutos frescos disseminada em todo o mundo.

Ceratitis capitata.

A esterilização de machos consiste na criação de grandes quantidades de machos da espécie considerada, que são esterilizados em determinada fase do desenvolvimento. A esterilização pode ser feita por métodos físicos, recorrendo a radiação ionizante, ou por métodos químicos, utilizando substâncias que ingeridas pelos machos os tornam estéreis.

Os machos estéreis são depois largados em grandes quantidades na área afetada, para competirem com os machos existentes na Natureza, durante o acasalamento. Os machos esterilizados, ao acasalarem com as fêmeas, impedem a formação de ovos viáveis, não dando origem a descendência. Sem descendência, a praga vai diminuindo progressivamente, assim como os prejuízos em causa.

Controlo genético

Atualmente, é possível, dentro de certos limites, melhorar a produção agrícola, obtendo plantas resistentes a certos consumidores e parasitas, reconhecidos como os mais perigosos para determinada cultura. Pode recorrer-se a cruzamentos seletivos, obtendo variedades com as características que interessam, ou recorrer à engenharia genética, transferindo para a planta o gene que lhe permite resistir a um agressor particular.

Girassol resultante de cruzamento seletivo.

O controlo genético tem levado a resultados encorajadores em diferentes aspetos:

  • Redução de custos no controlo de pragas;
  • Redução da quantidade de pesticidas e de fertilizantes.

One thought on “Controlo de pragas

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